A importância de nutrirmos a conexão com a vida em nós.
Existe um cansaço que não se cura com sono, mas com sentido. É o cansaço de quem passou anos na “manutenção” de uma vida que não lhe pertence. Quando vivemos apenas para cumprir o que o relógio nos impõe, o tempo deixa de ser vivido e passa a ser apenas gasto. E, nesse gasto contínuo, onde abrimos mão das nossas vontades para dar conta das urgências, algo em nós começa a minguar: a nossa capacidade de sentir o agora.
É aqui que o tempo e a comida se cruzam de forma silenciosa. Quando o dia foi uma sucessão de obrigações automáticas, o momento de comer acaba sendo o único “respiro” de liberdade. O “hoje eu mereço um mimo” surge como um grito de socorro de uma alma que se esqueceu de como é desejar algo além da sobrevivência. A comida, então, deixa de ser nutrição e passa a ser uma tentativa de compensar o tempo perdido, de preencher o vazio deixado pela falta de presença.
Muitas vezes, as pessoas chegam ao consultório sem saber o que querem fazer da vida, mas sabendo exatamente o que querem comer para anestesiar o dia. Isso acontece porque o hábito de se ignorar é tão forte que o paladar vira o último reduto de prazer que nos resta. Comemos para sentir que temos algum controle, para ter um instante de “mimo” em meio a uma rotina que nos ignora.
Mas a verdade é que nenhum banquete compensa uma vida desabitada. O tempo não volta, e a comida não preenche o espaço que só o sentido pode ocupar. Precisamos prestar atenção: se a sua única alegria do dia está no prato, talvez seja hora de olhar para como você está gastando as suas horas. Será que você está vivendo o seu tempo ou apenas fazendo a manutenção de uma existência que esqueceu de te incluir?
Que tal parar um minuto hoje e se perguntar: “O que eu realmente tenho vontade de fazer agora, além de apenas cumprir tarefas?”. Se sentir vontade, compartilha aqui como você tem percebido sua relação entre o tempo e a comida.