Planos e metas não devem aprisionar ou causar sofrimento
À medida que 2025 se recolhe e 2026 começa a se anunciar, algo em nós também entra em movimento. Não é apenas o calendário que muda, é a forma como o tempo nos atravessa e nos convida a olhar para dentro, para o que fomos e para o que estamos nos tornando. Esses momentos de passagem suspendem o automatismo da vida e abrem espaço para um encontro mais honesto com o que sentimos e desejamos.
É também nesse atravessamento que certos discursos ganham força. Ideias sobre hábitos e corpos passam a ocupar o lugar da escuta interna, especialmente com a chegada do verão, quando o corpo deixa de ser morada e passa a ser tratado como projeto: algo a ser corrigido, ajustado, exibido. O “corpo da estação” reaparece, reforçando padrões antigos que reduzem a experiência humana à forma e ao peso.
O risco é confundir desejo com imposição. Quando isso acontece, nos afastamos de nós mesmos, das necessidades reais do corpo vivido e do ritmo singular de cada história. Muitos adoecem não apenas pelo olhar do outro, mas pelo julgamento interno, silencioso e constante, que acompanha cada escolha.
Mudar e experimentar novos modos de ser é parte da vida, desde que esse movimento nasça do encontro consigo. Quando vem de demandas externas, que transformam emoções em números e corpos em lucro, ele deixa de humanizar.
Ao olhar para o ano que passou, que esse gesto seja feito com empatia. A vida não é linear, nem responde à lógica das metas. Há pausas, desvios e recomeços, inclusive na relação com o corpo e com a comida.
Se for possível, permita-se esse tempo de acolhimento. Escute o que te move, o que te cansa, o que te nutre de verdade. Talvez o novo ciclo não precise ser mais produtivo, mais magro ou mais controlado, talvez ele precise ser mais habitável. Porque cada passo só ganha sentido quando nasce da consciência de que é você quem caminha, por você, para você.
Feliz novo tempo!